Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Do Carnaval da infância e desta vida

 Quando era criança adorava o Carnaval, a possibilidade de nos transformarmos noutra coisa, adquirir uma identidade mágica e formidável, ser um super-herói. Lembro-me de ser Ali Babá, Batman e, claro, jogador de futebol. À medida em que íamos crescendo, o Carnaval tornou-se um ótimo pretexto para nos equiparmos da cabeça aos pés com os equipamentos dos nossos clubes, para irmos trajados a rigor com os sonhos de futebol. Mais tarde, quando a adolescência se instalou passei a detestar o Carnaval, muito graças às brincadeiras de balões de água, bombas de mau-cheiro e outros afins, que estragavam a roupa, os sapatos ou o penteado. Nunca alinhei nas aventuras de atirar balões de água das janelas a quem passava, considerava aquilo tudo desrespeitoso, por isso quando terminavam as aulas ia-me embora, não ficava perdido nas horas a correr com balões de água nas mãos. Fiz mal, é verdade. Mas sabia lá eu que teria tempo para pensar no outfit. Quando somos adolescentes achamos que vamos morrer porque outrem não gosta de nós, que estamos apaixonados para a vida, que tudo aquilo é o auge da nossa existência, que a marca dos sapatos condicionará eternamente a nossa inclusão social. Estes anos volvidos, apetece-me uma festa de máscaras. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

24.02.17

A Luta pelo Armário

A gestão doméstica é um verdadeiro mundo de negociações. Entre o lar e a ONU não parece haver salutares diferenças, pelo menos ao nível do método e das capacidades necessárias para a saudável condução dos assuntos. Há nas relações de poder um imperativo toque de seda, uma capacidade de colocar "paninhos quentes" em certos assuntos, até porque em todas as línguas se conhece o elementar argumento feminino: não é o que dizes mas a forma como o dizes. Quer isto então dizer que se for de mansinho uma ofensa não cai mal e se for a gritar uma declaração é ofensiva. É mais ou menos isto. Ou seria, não fosse o sistema operativo feminino tão dado a bugs.

Isto para falar do armário e da arrumação (ou falta dela) masculina. Na maioria dos lares o armário é um assunto que não interessa nada aos homens, até porque as camisas se espalham em cadeiras, as meias em esquinas e os sapatos na entrada. Mas por cá a realidade é outra. O armário, ou melhor, os armários, são lugares onde se joga o 'espaço vital' e se negoceiam as forças da relação. Eu explico. É que são vinte pares de sapatos para cada um - portanto, sim, eu tenho 20 pares -, dez calças, quinze casacos, e por aí a fora. A simplicidade masculina não é coisa que me assista, por isso preciso sempre de mais uma camisa retro, de mais uns sapatos de cor assim ou assado, de mais um casaco que vi na Zara e que tem uns acabamentos que são tão giros, e nisto tudo vou ouvindo "a gaja da relação sou eu".

Ora, isto seria o menor dos problemas da C. se a tal gosto pela roupa viesse associada uma predisposição para arrumar. Coisa que não vem. São as meias que se acumulam num canto porque a cor tem de condizer com a roupa e calçado e por isso variam diariamente, são as camisas guardadas com as mangas arregaçadas, os casacos no lugar as calças e por aí em diante. Para piorar a minha situação há sempre as magníficas gavetas, as quais a cada tentativa de arrumo vou ouvindo um "uiiii"; é que no final da arrumação parece que passou por ali um ciclone e a estrutura não tem sentido algum.

Mas em defesa dos homens vale a pena recordar que a nossa desarrumação tem sempre um sentido. Sabemos sempre onde as coisas estão até que as senhoras decidam lhes dar outro poiso. Aí é que tudo perde sentido porque ganham um significado dado pelo filtro feminino. E é ver os cabos do telemóvel, da máquina de barbear e do tablet todos juntos como se fosse um comício de transmissores de corrente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

23.02.17

AS MULHERES AINDA GOSTAM DE FLORES?

 Durante décadas oferecer flores a uma mulher traduzia cavalheirismo, elegância e sensibilidade. Era uma gesto carregado de significado que mais se complexificava nas cores e família das mesmas. As rosas vermelhas, ex-libris do amor, tornaram-se símbolo de romantismo. No entanto, numa altura em que o capitalismo conquistou a nossa sociedade e os bens contam mais que os gestos, as mulheres ainda gostam de receber flores? 

Uma breve atenção às escolhas femininas, às conversas, e tanto mais, revela-nos que as flores deixaram de ter lugar de destaque no imaginário romântico-afetivo feminino. Num escritório de uma empresa no Estoril, Simão pergunta a Marta o que dar a Teresa no aniversário. A resposta flui nos termos: "oh, dá-lhe um Swatch que toda a gente gosta". As conversas entre mulheres, no mesmo espaço, deixam transparecer o óbvio - hoje as flores são um acessório, algo que vai perdendo o seu poder simbólico para dar lugar ao material, ao quantificável, seja um iPhone, um relógio Swatch, uma pulseira ou anel Swarovski. Assim, a mulher que gosta de receber flores está em vias de extinção.

Autoria e outros dados (tags, etc)

22.02.17

Etiquetas:

La La Land

Numa época de revivalismos e nostalgias, La La Land é um hino à Broadway, aos musicais como período dourado do cinema, recordando tanto Grease quanto West Side Story. Um musical sobre o preço da fama, sobre sonhos e descaminhos do amor, que me levam a pensar que o subtítulo português deveria ser "melodia do adeus" ao invés de "melodia do amor". Interpretações muito boas, com um maravilhoso toque de jazz, e um guarda-roupa primoroso, numa bela homenagem ao musical como género cinematográfico. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

19.02.17

Etiquetas:

O Livro dos Baltimore de Joël Dicker

 Virei a última página de O Livro dos Baltimore, coberto de imensa emoção. Tal como A Verdade sobre o caso Harry Quebert, Joël Dicker oferece-nos uma leitura arrebatadora e comovente, que começa por nos fazer viver a maravilhosa adolescência dos Goldman, que muito recorda a série Dawson's Creek, para nos ir conduzindo até ao Drama. Não há spoilers neste texto, há uma indicação de leitura: leiam. Não sei qual dos livros gosto mais, sei que gosto muito de ambos. É impossível não entrar nos personagens, não esperançar e sofrer com eles. A escolha fica com cada leitor.

 

© fotografia de JFD

Autoria e outros dados (tags, etc)

18.02.17

Etiquetas:

Um Dia, de David Nicholls

Encontrei-o por acaso, num corredor de uma qualquer feira do livro, abandonado como literatura vulgar. Não o é. "Um Dia" de David Nicholls é um romance cru, profundamente humano e real, sem artifícios ou melodramas dos romances exagerados, com personagens habitados de uma densidade psicológica tremenda, que nos fazem esquecer que lidamos com ficção e não com relatos de vida. Uma viagem pelo crescimento emocional e pelas voltas que a vida dá, entre Edimburgo, Londres e Paris.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

10.02.17





Barbearias & Cabeleireiros

GENERALISTAS

FEMININOS

MASCULINOS





aRmário

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D