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A Luta pelo Armário

A gestão doméstica é um verdadeiro mundo de negociações. Entre o lar e a ONU não parece haver salutares diferenças, pelo menos ao nível do método e das capacidades necessárias para a saudável condução dos assuntos. Há nas relações de poder um imperativo toque de seda, uma capacidade de colocar "paninhos quentes" em certos assuntos, até porque em todas as línguas se conhece o elementar argumento feminino: não é o que dizes mas a forma como o dizes. Quer isto então dizer que se for de mansinho uma ofensa não cai mal e se for a gritar uma declaração é ofensiva. É mais ou menos isto. Ou seria, não fosse o sistema operativo feminino tão dado a bugs.

Isto para falar do armário e da arrumação (ou falta dela) masculina. Na maioria dos lares o armário é um assunto que não interessa nada aos homens, até porque as camisas se espalham em cadeiras, as meias em esquinas e os sapatos na entrada. Mas por cá a realidade é outra. O armário, ou melhor, os armários, são lugares onde se joga o 'espaço vital' e se negoceiam as forças da relação. Eu explico. É que são vinte pares de sapatos para cada um - portanto, sim, eu tenho 20 pares -, dez calças, quinze casacos, e por aí a fora. A simplicidade masculina não é coisa que me assista, por isso preciso sempre de mais uma camisa retro, de mais uns sapatos de cor assim ou assado, de mais um casaco que vi na Zara e que tem uns acabamentos que são tão giros, e nisto tudo vou ouvindo "a gaja da relação sou eu".

Ora, isto seria o menor dos problemas da C. se a tal gosto pela roupa viesse associada uma predisposição para arrumar. Coisa que não vem. São as meias que se acumulam num canto porque a cor tem de condizer com a roupa e calçado e por isso variam diariamente, são as camisas guardadas com as mangas arregaçadas, os casacos no lugar as calças e por aí em diante. Para piorar a minha situação há sempre as magníficas gavetas, as quais a cada tentativa de arrumo vou ouvindo um "uiiii"; é que no final da arrumação parece que passou por ali um ciclone e a estrutura não tem sentido algum.

Mas em defesa dos homens vale a pena recordar que a nossa desarrumação tem sempre um sentido. Sabemos sempre onde as coisas estão até que as senhoras decidam lhes dar outro poiso. Aí é que tudo perde sentido porque ganham um significado dado pelo filtro feminino. E é ver os cabos do telemóvel, da máquina de barbear e do tablet todos juntos como se fosse um comício de transmissores de corrente.

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23.02.17






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