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A Rapariga no Comboio


O Francisco já havia escrito sobre este tão aclamado livro de Paula Hawkins. Quantos de nós não nos encontrámos já a imaginar vidas para os demais que vemos para lá das janelas? É precisamente dessa ideia que parte "A Rapariga no Comboio". Um thriller sobre vidas cruzadas para lá da imaginação, segredos guardados, vidas onde a realidade transforma a fantasia do ideal em sombras e dias cinzentos. Todavia, não o tomo nem por um thriller arrepiante nem por um livro que nos agarra desde o começo. Ao contrário dos policiais de Camilla Läckberg, para citar um caso feminino atual, este thriller de Paula Hawkins é, até meio da narrativa, aborrecidamente feminino, ao explorar em excesso os dramas emocionais de Rachel que só a espaços contribuem para o desenrolar da ação. Nesse sentido, a escritora sueca consegue oferecer-nos um olhar feminino universalista, enquanto Hawkins parece escrever um thriller para mulheres. Não obstante, "A Rapariga no Comboio" é um bom livro para estas noites chuvosas, que consegue articular perfeitamente as personagens e oferecer um lado sombrio a um personagem que aparenta a maior das tranquilidades. No entanto, sabemos, os psicopatas costumam aparentar a mais perfeita inserção social. 


 

© fotografia do autor

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10.01.16






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