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O Projecto Rosie

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Ao melhor estilo de Sheldon Cooper (Big Bang Theory), Don, um geneticista australiano, tem uma agenda a cumprir. O seu tempo é precioso e gasto naquilo que lhe dá prazer. Olha para as mulheres e gosta de um bom copo de vinho (ao contrário de Sheldon) mas pela sua enorme inteligência tem tendência para ser visto como arrogante. Tem dois amigos. Gene, um professor de psicologia que tem um casamento aberto e a vontade de dormir com uma mulher de cada uma das nacionalidades existentes no mundo, tarefa que está a ir de vento em popa e Claudia, a mulher de Gene. Equaciona incluir a filha do casal na sua lista de amizade. Solitário, decide ser tempor de ter uma mulher e inicia o Projecto Esposa. Através de questionários escritos, tenta encontrar a mulher perfeita para si. Quando está prestes a desistir, Gene manda-lhe Rosie. Não parece em nada responder ao critérios de Don mas toma a sua vida de assalto. Don não a vê como companheira mas quando ela precisa de ajuda para encontrar o pai verdadeiro, começa o Projecto Rosie...Um livro de grande profundidade, disfarçado de comédia romântica leve, com passagens hilariantes como a viagem do duo a Nova Iorque e principlamente a sequência em que Don aprende, da noite para o dia, a fazer uma míriade de cocktails para estar à altura do papel de barman. 

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17.08.17

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Escrito na Água

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Depois do estrondoso e merecido sucesso de A Rapariga no Comboio, Paula Hawkins está de regresso com este Escrito na Água. O melhor e o pior que dele se pode dizer é que segue a fórmula do primeiro livro, com várias vozes a contar a mesma história e algumas reviravoltas no final. Nel Abbot vive com a filha Lena numa pequena vila inglesa, marcada pela presença da água e pelas mulheres que lá morreram, por cometerem suicídio ou por serem mortas. A última foi a adolescente Katie, melhor amiga de Lena, que se suicidou o que levou a que Louise, a mãe, odiasse Nel. É que Nel estava a escrever um livro sobre as mortes no rio antes dela própria lá cair e morrer. O episódio causa dor e revolta em Lena sobretudo quando Jules, a sua tia, regressa à vila. Durante anos, Jules e Nel não se falaram e Lena não recebe bem a tia, agora a única adulta por si responsável. 

 

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16.08.17

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Os Últimos Dias dos Nossos Pais

 Com este Os Últimos Dias dos Nossos Pais termino a leitura da obra atual de Joël Dicker, esperando ansiosamente por mais produção literária deste talentoso escritor suíço. Dicker é um excelente contador de histórias, capaz de imprimir profundidade às personagens com mestria, avançando rapidamente, espera-se, para um lugar de destaque no panorama literário mundial. É expetável que Dicker melhore a sua escrita, o que nos permite supor uma carreira de grande envergadura, pela capacidade de ser moderno sem cair na liquidez da nossa sociedade, no fútil, no efémero, no fugaz e superficial. Os Últimos Dias dos Nossos Pais fica um tanto aquém de Harry Quebert e do Livro dos Baltimore, mas isso não faz deste romance uma obra menor. Uma viagem interessante pela psicologia dos combatentes da Segunda Guerra Mundial, pelos dramas e dilemas de um grupo de jovens franceses e ingleses ao serviço do SOE, os serviços secretos britânicos em missão numa França ocupada pelos nazis. O debate entre o amor, a honra, a família. Os Últimos Dias dos Nossos Pais são dias de dores. 

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26.07.17

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Revivalismo literário

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Numa altura em que os líderes políticos parecem não ser tão carismáticos como os de outrora, a literatura vira-se para o revivalismo, respondendo, sob uma capa de humor, às pretensões daqueles que gostariam que líderes antigos governassem hoje. Por cá, temos o famoso “no tempo de Salazar...” figura que aliás, foi eleita como “O Grande Português”.  Primeiro foi o alemão Timur Vermes a ressuscitar Hitler. Em Ele Está de Volta, de 2012 (daria em filme em 2015), Vermes imagina que o ditador acorda num terreno baldio em Berlim, em pleno 2011, e decide voltar ao poder. Quase sem querer, apenas sendo ele próprio, torna-se numa vedeta do Youtube e acaba por voltar à política. Claro que ninguém acredita que ele é ele mas sim que é um ator ou comediante. Ainda assim, leva a sua avante. Aqui, a comédia disfarça o medo atual do regresso ao poder de movimentos nacionalistas e faz a caricatura de como um novo Hitler poderia tornar-se numa vedeta e ser aceite.

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Este ano, Romain Puertolas edita Re-viva o Imperador, trazendo Napoleão à vida. Aqui, Napoleão e o seu cavalo teriam sido conservados num grande bloco de gelo durante 200 anos. Em 2017, um pescador norueguês dá de caras com o bloco e depois de descongelar o pequeno grande governante, leva-o de avião até França, onde uma obscura organização revivalista espera o Imperador. Mas Napoleão tem planos próprios e, viciado em Coca-Cola (que apelida de champanhe preto) e vestido com uma t-shirt de Shakira, calças slim fit e ténis Converse, arquiteta um estranho plano para salvar a França do terrorismo. Aqui o inusitado é mais claro; as pessoas que com ele convivem acreditam no seu regresso e esse regresso não se torna nunca público, fazendo de Bonaparte, uma espécie de James Bond. Puertolas não mantém o fulgor nem a originalidade de A Incrível Viagem do Faquir que Ficou Fechado num Armário Ikea mas como Vermes faz o alerta para os perigos do radicalismo.

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18.07.17

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O Prodígio

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A irlandesa Emma Donoghue é publicada desde 1994 com sucesso mas foi em 2010, com O Quarto de Jack que saltou para as bocas do mundo. Com a passagem do livro a filme, em 2015, Emma ainda mais conhecida se tornou.

Regressa agora com a edição (versão portuguesa de maio deste ano) d´O Prodígio. Nele, leva-nos à sua Irlanda, se bem que noutro tempo (Séc. XIX), pelos olhos da enfermeira inglesa Lib. Lib, jovem enfermeira treinada pela mítica Florence Nightdale, é contratada por uma comissão de uma pequena cidade rural para vigiar Anna, uma jovem de 11 anos que diz viver sem alimento. Lib, pronta a desmascarar o caso, que já dera à jovem a fama de Santa, encontra uma criança bondosa e extremamente ligada à religião que, aparentemente não come mesmo, há cerca de 4 meses.

À sua volta, Lib tem uma freira com a mesma função, com a qual troca de turno e um simpático e atrevido jornalista irlandês. Contra si, parecem estar a mãe e a prima de Annie, convencidas da falta de fé de Lib e na santidade da menina.

Um regresso muito interessante, sobre os limites da fé e como naquela altura o povo irlandês, e não só, era crédulo. O fenómeno de Anna, ficcionado, foi replicado um pouco por todo o mundo sob o nome de “virgens jejuadoras”.

 

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19.06.17

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Le Petit Nicolas

Le Petit Nicolas é a versão franco-belga do Tonecas. Lembro que este foi um livro que lemos no liceu, já não tenho a certeza, mas diria que no décimo ano. O curioso disto é que não recordo rigorosamente nada da estória. Todavia, associo o mesmo às aulas de francês depois do almoço, no doce embalo da língua francesa e a camaradagem que uma turma reduzida (o francês era opcional) proporcionava, inclusive face ao professor segregado mas que era um verdadeiro amigo. É bom que objetos possam proporcionar memórias que vão para além da sua própria existência enquanto tal.

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05.06.17

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Reino do Amanhã

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O escritor inglês J. G. Ballard, falecido em 2009, chega-nos agora em novas e bonitas edições da Elsinore. Não conhecia a sua obra irónica, de crítica social e profundamente inteligente e comecei por me deliciar com Reino do Amanhã, apesar de, nascido em Xangai ter escrito (e protagonizado, pelo que parece) Empire of the Sun, transformado por Spielberg em obra prima do cinema mundial, apresentando o então pequeno Christian Bale ao mundo.

Em Reino do Amanhã, último livro do autor, tudo gira à volta de um monstruoso centro comercial (Metro-Centre), local que secou a vida à sua volta e onde a população passa todo o seu tempo livre, num processo quase litúrgico. A calmaria é interrompida quando um homem armado abre fogo no shopping e mata várias pessoas. Uma das vítimas é o pai de Richard Pearson, um executivo ligado à publicidade, recém-desempregada e protagonista da história.

Com tempo e sede de vingança, Richard começa a investigar o caso e entra num mundo de neofacismo, ataques racistas e xenófobos, tudo com aparente origem no Metro-Centro que mais do que um espaço comercial, parece ser um deus maléfico.

“Com esta investida distópica e arrepiante - o seu último romance, inédito em Portugal -, J. G. Ballard força a sociedade moderna a olhar-se ao espelho, mostrando-lhe o rosto das forças mais perversas que atuam sob o brilho do consumismo e do patriotismo arreigado”.

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25.05.17

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Crónica de um vendedor de sangue

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Traduzido para português e editado por cá há cerca de um mês, este “Crónica de um vendedor de sangue” leva-nos até uma pequena cidade chinesa algures nos anos de governação de Mao Tsé Tsung. No centro da trama está Xu Sanguan, um operário de uma fábrica de seda que constitui família e tem três filhos. Trabalhador e poupado, a vida parece correr-lhe bem até que descobre o filho mais velho é, afinal filho de outro homem. Revoltado com a mulher (não parece interessar que afirme ter sido violada) e com a vida, Xu Sanguan deixa-se levar pelo seu grande coração e acaba por aceitar o filho como seu, como tinha feito nos nove anos anteriores.

O advento do comunismo traz diversos problemas à família Xu. Fome, uma vez que os fogões e outra propriedade provada são abolidos e as cantinas tidas como solução depressa se esgotam; a vergonha da mulher, apontado como prostituta e exemplo para as outras mulheres e a ida dos dois filhos mais velhos para o campo, para trabalharem em prol do país em condições severas. Xu Sanguan responde a todos os problemas, que no fundo são sempre um - falta de dinheiro, com idas ao hospital local onde pode vender sangue a bom dinheiro (delicioso o pormenor de, depois de vender o seu sangue ao Mestre Li ir comer fígado de porco frito e licor de arroz aquecido, como forma de restabelecer as forças do corpo). Para ajudar a família e acudir a todos, começa a fazer visitas cada vez mais frequentes ao comprador de sangue, sacrificando-se pela família.

Uma história aparentemente simples e escrita com suposta ingenuidade e até infantilidade mas que descreve cruamente a sociedade chinesa dos anos 50 e o advento do comunismo e efeito que teve numa população já de si miserável. Muito interessante a escrita precisa, direta e ternurenta de Yu Hua que faz parecer estar a contar as pequenas desventuras de uma família quando na verdade conta uma parte importantíssima da história chinesa. 

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23.05.17

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O Livro dos Baltimore de Joël Dicker

 Virei a última página de O Livro dos Baltimore, coberto de imensa emoção. Tal como A Verdade sobre o caso Harry Quebert, Joël Dicker oferece-nos uma leitura arrebatadora e comovente, que começa por nos fazer viver a maravilhosa adolescência dos Goldman, que muito recorda a série Dawson's Creek, para nos ir conduzindo até ao Drama. Não há spoilers neste texto, há uma indicação de leitura: leiam. Não sei qual dos livros gosto mais, sei que gosto muito de ambos. É impossível não entrar nos personagens, não esperançar e sofrer com eles. A escolha fica com cada leitor.

 

© fotografia de JFD

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18.02.17

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Um Dia, de David Nicholls

Encontrei-o por acaso, num corredor de uma qualquer feira do livro, abandonado como literatura vulgar. Não o é. "Um Dia" de David Nicholls é um romance cru, profundamente humano e real, sem artifícios ou melodramas dos romances exagerados, com personagens habitados de uma densidade psicológica tremenda, que nos fazem esquecer que lidamos com ficção e não com relatos de vida. Uma viagem pelo crescimento emocional e pelas voltas que a vida dá, entre Edimburgo, Londres e Paris.

 

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10.02.17





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