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Ferrugem Americana

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Galardoado e aclamado, este romance de Phillipp Meyer pretende-se como continuação da obra de Hemingway, um regresso à literatura americana embrenhada nas profundezas sociais, na América rural, na ferrugem de uma América falida, onde a esperança é pouco mais do que uma linha no horizonte. É uma obra cativante, que cumpre o que promete, quase até ao fim. Para quem, como eu, colocava fortes expetativas na obra, termina a última página com um amargo de boca. O romance acaba do nada, sem nos dizer para onde caminham as personagens, como ficam as suas vidas, como se se estivessem esquecido de imprimir o último capítulo. Por isso vale um pouco menos. 

3,5 ★

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22.11.17

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Uma Coluna de Fogo

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He did it again! Ken Follett não para de deleitar o mundo da literatura, sobretudo com os seus gigantescos romances históricos (tem também alguns policiais interessantes). Entre 2010 e 2014 fez sair três volumes – A Queda dos Gigantes, O Inverno do Mundo e No Limiar da Eternidade – que contava a história do Séc. XX desde o eclodir da I Guerra Mundial até ao cair do Muro de Berlim. Parecia ser a sua obra-prima e até um fim de carreia. Aos 68 anos, Follett não abranda o ritmo e regressa a Kingsbridge (cidade fictícia). Kingsbridge foi apresentada ao mundo em 1989, como palco d´Os Pilares da Terra. Estamos no Séc. XII, durante um período onde dois sucessores lutam pelo trono inglês. Mas Tom, um humilde pedreiro, persegue o sonho de ajudar a erguer uma Catedral Gótica. Em 2007, Follett regressa à mesma cidade para Um Mundo Sem Fim. Este ano, regressamos a Kingsbridge para “Uma Coluna de Fogo”. No centro está Ned, um jovem inglês que regressa a Kingsbridge depois de uma estadia em França. Quando a família perde a fortuna e Ned perde a amada para um rival mais rico e poderoso, Ned muda-se para Londres onde se vê ao serviço da poderosa Rainha Isabel e se torna aos poucos, um dos seus conselheiros mais importantes e um antepassado daquilo que se tornaram os espiões, ao serviço da Coroa. Mas, como sempre, nos livros de Ken Follett não falta um contexto histórico maior e um batalhão de personagens interessantes.


Assim vivemos num época de lutas religiosas entre católicos e protestantes, sendo que o reinado de Isabel parece ter o condão de trazer alguma paz. Também a disputa pelo trono inglês, que acaba por ser ganho por Isabel, está em destaque, sobretudo com a sombra de Maria, Rainha da Escócia. Conhecemos a mãe de Ned, Alice, esperta e determinada comerciante que perde tudo; Barney, o seu irmão mulherengo que se torna marinheiro e se apaixona perdidamente em São Domingo e claro, Margery, a sua amada, que nunca esquece e nunca o esquece.

Conhecemos também o ponto de vista de Maria, Rainha da Escócia, sempre em apuros. Primeiro casada com Francisco e Rainha de França e depois, prisioneira, ainda que sempre apoiada pela amiga e aia, Allison. Também no núcleo francês, temos a calculista família Guise, que tenta dominar a Coroa e ainda Pierre, um jovem charlatão que consegue subir a pulso, até se aproximar do novo Rei de França, o adolescente Henri. Sem esquecer Sylvie, jovem prospera de Paris, cujo pai vendia bíblias em francês e acaba condenado à fogueira. Existe ainda o sevilhano Carlos e o seu antigo escravo Ebrima que acabam em Antuérpia, no meio de mais uma batalha religiosa, ainda que só queiram ter uma vida pacífica.  Follett continua um mestre em tornar simples e humana, a história da Europa e “Uma Coluna de Fogo” é mais um grande sucesso nesse sentido. É um pageturner cativante que nos faz dar uma volta ao mundo, ao mesmo tempo de mergulhamos nos locais descritos.

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20.11.17

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Hostage

 

 

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Guy Delisle é um dos meus autores favoritos da atualidade. Canadiano, nascido em 1966, é um dos mais proeminentes autores de graphic novels. A sua obra é muitas vezes autobiográfica e relata as suas viagens, um pouco por todo o mundo. Trabalhou em estúdios de animação na Ásia, como supervisor e relata essas experiências em Shenzhen, publicado em 2000 e no ainda mas fantástico Pyongyang, publicado em 2003, onde, de forma aparentemente simples, relata as limitações do regime coreano. A par de Dentro do Segredo, de José Luís Peixoto, é um dos relatos mais interessantes que li sobre a Coreia do Norte e o seu regime repressivo, apesar do esforço para não passar essa realidade para o exterior.

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Casado com uma administradora dos Médicos Sem Fronteiras, ele e os filhos, seguiram-na até vários países. Estas aventuras deram origem a livros como Burma Chronicles (2005) e Jerusalém (2009), nos quais relata o dia-a-dia naqueles países.

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Chega agora ao mercado português, Hostage (por cá, ainda só há em francês e inglês). Aqui, Guy conta a história do amigo Christophe André, raptado em 1997, por rebeldes chechenos, enquanto estava a trabalhar numa missão humanitária na Rússia, algures no Cáucaso Norte. Nos meses seguintes, a vida de André consiste em estar preso em locais esconsos e escuros, normalmente com uma mão algemada. E um livro que vive de imagem consegue ser muito bom, com grande parte das vinhetas a mostrarem o mesmo homem na mesma posição. Acompanhamos os diferentes estados de espírito de André, à medida que o tempo passa e todos os cenários que imagina – vou ser libertado hoje, vou fugir, não vou sair daqui nunca – enquanto não tem mais nada para fazer. Um relato emocionante e que nos prende até ao fim das cerca de 500 páginas.

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08.11.17

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Origem

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Eu, leitor de Dan Brown me confesso. Não que ache que Brown seja um grande escritor ou que a sua fórmula não seja previsível. Brown não escreve muito bem, “simplesmente” junta num livro, com linguagem simples, curiosidades sobre ciência, história, arte ou religião. Brown não nos surpreende por aí além. Sabemos ter uma história principal, que queremos ver desvendada o quanto antes mas que é atrasada por capítulos com personagens secundários. No entanto, na sua quase generalidade, os livros de Brown são divertidos. Levam-nos a sítios que não conhecemos, apresentam-nos monumentos e suas histórias e pessoas que sendo normais, são também extraordinárias. Desta vez, acompanhamos o Professor Robert Langdon até ao Museu Guggenheim de Bilbau onde um antigo aluno seu, hoje guru das tecnologias, se prepara para fazer um anúncio ao mundo que pretende mudar os paradigmas e decifrar a origem da vida. Escusado será dizer que tal perspetiva assusta as diversas religiões do mundo, que temem esvaziar-se e que Langdon está metido ao barulho, com a companhia de uma bela mulher, numa jornada que o leva a diversas cidades, rumo à vitória final. Críticas à parte, a viagem de Origem é divertida, muito divertida. E a literatura não precisa sempre de ser profunda.

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02.11.17

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Astérix e a Transitálica

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"Asterix e a Transitálica" chegou às lojas portuguesas no dia 19 de outubro. É a 37.ª aventura dos "irredutíveis gauleses", liderados pelo pequeno Asterix e pelo grande Obelix que, juntos, mantêm a fama e proveito de uma pequena aldeia que não se deixa invadir por Roma, nem por nada. Já se sabe que Asterix e o resto da aldeia (menos Obelix) têm ao dispor uma poção mágica que lhes dá força extra e faz os queixos dos romanos tremerem. A dupla que criou as aventuras - Albert Uderzo e René Goscinny – em 1959, desfez-se logo em 1977, altura em que Goscinny morreu. Já Uderzo, de 90 anos, continua a supervisionar os livros, depois de ter acumulado o desenho e os enredos até 2013. Esta é a terceira aventura assinada por Jean-Yves Ferri (argumento) e Didier Conrad (desenho), após "Asterix entre os Pictos" (2013) e "O papiro de César" (2015). Na nova aventura, o Senador Bifidus Attivus resolve organizar uma corrida na Península Itálica, para provar o bom estado das estradas e tentar disfarçar que os fundos que deveriam ser usados para a manutenção das mesmas, vão, na verdade para o seu bolso. À corrida juntam-se diversos povos, entre os quais, os gauleses, representados por Asterix e Obelix; os lusitanos, cuja equipa inclui Biscatês e Àsduasportrês, preguiçosos, e o campeão romano Coronavirus, grande favorito à vitória final. Aliás Júlio César não adite outro vencedor. Acompanhamos as desventuras da corrida até ao seu previsível final, passando por diversas regiões de Itália, onde os nossos herois vão comendo o que por há lá (pizzas sem tomate, que só chegará à Europa várias centenas de anos depois, em Nápoles ou presunto em Parma) e conhecendo o resto da cultura. Como sempre, as aventuras dos gauleses valem pelo caminho (neste caso, literal) e não pela chegada (aliás, todos os albuns acabam com um baquete na aldeia gaulesa, para celebrar o regresso da dupla. O novo álbum está cheio de boas piadas, a começar pelos nomes das novas personagens e faz constantes piscares de olho à atualidade. Os novos talentos por trás do estirador mostram mestria no desenho e no argumento em nada envergonham a série. Uma boa opção para uma hora de bom e familiar desenho e umas boas gargalhadas.

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26.10.17

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Jiro Taniguchi

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Numa altura em que Kazuo Ishiguro se preparara para receber o Prémio Nobel da Literatura 2017, chamo ao blogue um outro japonês: Jiro Taniguchi. Taniguchi, que nos deixou em fevereiro, aos 69 anos, foi um mestre da banda desenhada, distinguindo-se na manga e nas graphic novels. Vencedor por duas vezes (caso único entre os japoneses) do Festival de Banda Desenhada de Angoulême, Taniguchi teve uma carreira marcada entre a ponte entre a banda desenhada japonesa e a ocidental. Depois de ter sido empregado de escritório, começou a carreira como assistente de Kyota Ishikawa tendo publicado a sua primeira história em 1970. Foi nos anos 70 que conheceu a banda desenhada europeia, que para o sempre o influenciou. Teve uma carreira recheada, da qual destaco dois títulos: O Diário De Meu Pai e Terra De Sonhos. Em O Diário de Meu Pai, Taniguchi conta a história de Yoshi que regressa a Tottori, sua terra natal, para assistir ao funeral do seu pai e descobrir afinal quem era aquela homem austero. Numa viagem às suas raízes, Yoshi começa a perceber que a vida do país foi muito mais do que aquilo que ele julgava saber. É uma obra-prima de sensibilidade, na qual se nota a mescla perfeita entre a banda desenhada japonesa e a europeia, marca da obra de Taniguchi. Semelhante sensação passa Terra de Sonhos, que reúne cinco contos, com destaque para aquele que conta a história de um casal, sem filhos, que adota um cão e cuida dele até à sua morte e o vazio que esta traz. Mais uma prova da sensibilidade e de como as histórias mais simples podem ter o que ensinar.

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24.10.17

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O Árabe do Futuro

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Chegou ao mercado português o terceiro volume d´O Árabe do Futuro, de Riad Sattouf. Sattouf, filho de pai sírio e de mãe francesa. Cineasta e autor de banda desenhada (trabalha para o Charlie Hebdo), Riad escreve e desenha a sua história. Em criança, a família abandonou França e foi para a Síria, onde o pai de Riad pretendia ajudar na evolução do país, como professor universitário. No primeiro volume, que abrange o período entre 1978 e 1984, vemos o choque cultural de Riad e da mãe ao conhecerem a Síria e a Líbia. No segundo volume, Riad, mais habituado à Síria, vai para a escola e aprende árabe, tentando ser um verdadeiro sírio. Neste volume (1985-1987), a mãe de Riad parece ter chegado aos limites da sua paciência e quer mudar-se para um país mais civilizado, de preferência a sua França, deixando a pequena aldeia de Ter Maaleh, criando uma cisão entre os pais de Riad. O pai quer continuar no seu país, junto da família vendo o regresso a França, onde estudara, como uma derrota. É assim que vemos a Síria de Hafez Al-Assad, pelos olhos de uma criança, sem maldade mas também sem filtro.

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24.10.17

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O Diário de Anne Frank

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A história de Anne Frank dispensa apresentações mas nunca é demais lembra-la. O seu diário, o mais famoso testemunho do sofrimento judeu fora dos Campos de Extermínio, ganha agora uma versão graphic novel, apoiada pela própria Fundação Anne Frank, depois de algumas versões em vinhetas, não "oficiais". O objectivo terá sido chegar a camadas mais jovens e aos amantes da banda desenhada. E resulta na perfeição. Fabulosa a recriação dos escritos da jovem, num relato comovente mas com bastantes toques de humor e observação madura. Obrigatório. 

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13.10.17

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The Handmaid´s Tale

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Já tinha namorado o livro e já tinha ouvido falar (bem) da série mas o domínio de The Handmaid´s Tale na noite dos Emmys, despertou-me ainda mais a atenção. Comecemos pelo início. A História de uma Serva, de 1985, escrito por Margaret Atwood, descreve um mundo alternativo onde extremistas religiosos derrubaram o governo dos EUA e os transformaram em Gileade, um estado fundamentalista, no qual todas as mulheres férteis - Servas - são obrigadas a gerar filhos para a elite. Segundo a classe dominante, Deus castigou a Humanidade com infertilidade e o sexo é agora, uma cerimónia na qual a Serva é penetrada pelo seu senhor, enquanto é agarrada pela mulher deste. As Servas, formadas numa escola fundamentalista por uma sombria figura - Tia Lydia - têm direitos restritos e obrigações vastas.

No centro da história está uma Serva, Offred, que deve ter um filho do seu amo e manter uma vida recta, baseada nos ensinamentos bíblicos. Mas, as memórias da sua vida anterior continuam a ocupar-lhe a cabeça. Memórias da vida com o marido e a filha e tempos que parecem condenados a não mais voltar.  A adaptação para televisão conta com Elisabeth Moss (a valente e brilhante Peggy de Mad Men) como Defred e com Joseph Fiennes como seu amo. Outros como Yvonne Strahovski (Chuck) como a triste e vingativa mulher de Fiennes; Max Minghella (Ágora, Nos Idos de Março, A Rede Social ou Os Estagiários) como motorista ou as servas Alexis Bledel (Gilmore Girls) e Samira Wiley (Orange is the new Black) também estrelam a série.

 

 

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20.09.17

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Uma Coluna de Fogo

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Aos 68 anos, o galês Ken Follett não dá sinal de querer abrandar. Conhecido e lido em todo o mundo, muito graças ao romance histórico “Os Pilares da Terra” e a inúmeros policiais como “A Chave para Rebecca” ou “O Homem de São Petesburgo”, lançou entre 2010 e 2014, a trilogia “O Século” (“A Queda dos Gigantes”, “O Inverno do Mundo” e “No Limiar da Eternidade”) que começa com o eclodir da I Guerra Mundial e termina com a queda do muro de Berlim, naquele que parecia ser o seu encerrar de carreira em grande. Nada mais errado. Acaba de chegar aos escaparates de todo o mundo mais um volume gigantes (cerca de 900 páginas, como os três livros anteriores) – “Uma Coluna de Fogo”. No novo livro, regressamos a Kingsbridge, cuja construção da catedral acompanhamos ao longo d´”Os Pilares da Terra”. Voltaríamos à mesma cidade em “Um Mundo Sem Fim”. Resumo da obra.

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19.09.17





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