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Um Gentleman em Moscovo

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Nunca julgar um livro pela capa sempre me pareceu estúpido. É claro que uma boa capa não é tudo (como uma má não o será). É claro que uma capa bonita atrai. É claro que um livro também é um objeto. E aí, este Um Gentleman em Moscovo sai a ganhar. Tem capa dura, preta e com pormenores a dourado. É um objeto bonito e com bom gosto. Mas o que está lá dentro é ainda melhor. Amor Towles leva-nos até à Rússia de 1922. O Conde Aleksandr Rostov vive numa gigantesca suíte de luxo no Hotel Metropol, o melhor de Moscovo. Mas um poema escrito por si, anos antes leva a que um tribunal bolchevique o condene a prisão domiciliária. Continua no hotel mas muda-se para aposentos bem mais modestos. É na sua nova posição de aperto que começa a conhecer melhor o hotel, que pensava conhecer ao pormenor e vai encontrando aliados, a começar pela pequena Nina, que sonha ser uma princesa e que precisa do apoio do Conde. À medida que assiste, com uma distância imposta ao eclodir de uma nova Rússia, vai tentando fazer do Metropol um microclima onde o luxo e sobretudo o belo ainda podem existir. Um livro melancólico mas muito bonito.

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06.02.18

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O Homem Que Duvidava

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Ethan Canin, um dos autores que merece o epiteto de bestseller do New York Times, conta-nos a história de Milo Andret. Milo, que cresceu solitário no countryside do Michigan dos anos 50, começa a ver-se de outra forma quando ingressa na famosa Berkeley. Começa a tornar-se óbvio o tamanho do seu génio e acaba por conhecer uma mulher e um rival que o acompanham no resto da sua vida. Tal como nós, leitores, acompanhamos as várias fases da vida de Milo. São sete décadas de uma vida rica e de um grande romance americano.

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16.01.18

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Os Despojos Do Dia

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O mercado livreiro tem um truque que repete com frequência. Faz novas capas de livros já editados há alguns anos, levando leitores mais aventureiros (que, como eu, se apaixonam por capas e títulos, sem fazerem grande investigação) a pensar que estão a comprar uma novidade. Apesar de irritante, este truque por vezes é-me benéfico. Foi o que aconteceu com Despojos do Dia, uma pequena maravilha em 250 páginas que se lê numa penada. Descobri que é já de 1989 e que até já deu um filme com Anthony Hopkins mas isso acabou por não diminuir em nada o prazer da leitura.

Conhecido da maioria do público português (eu, incluindo) apenas após a vitória do Nobel da Literatura, Kazuo Ishiguro é um escritor nascido no Japão mas que cresceu como inglês. Assim que peguei neste Os Despojos Do Dia senti isso mesmo. Há pouco de japonês nestas páginas. O tema que escolheu para este livro de 1989 (o seu terceiro) dificilmente poderia ser mais britânico. No pós-guerra, o mordomo Mr. Stevens, aproveita a oportunidade que lhe é dada pelo patrão e faz uma viagem de carro pelo campo inglês. Nela, para além de ver o país que existia para além das paredes da casa que servia e de conhecer pessoas para além das que orientava e servia, pode refletir sobre a sua vida e como ela tinha sido dedicada a uma profissão e a uma pessoa, Sua Senhoria, agora morta.

Após anos de dedicação a Lord Darlington, Stevens agora empregado de um americano rico, vê uma certa mudança na atitude do patrão. Mais descontraído, insiste que o mordomo leve o seu Ford e aproveite a sua ausência para passear por Inglaterra. Com a desculpa para si mesmo de que a mansão precisa de mais pessoal, Stevens parte em busca de Mr. Keaton, antiga governanta que há largos anos se despedira para casar, casamento que, segundo uma missiva, estaria a terminar.

E se a viagem dura poucos dias, a verdade é que Stevens põe a memória a funcionar e recua anos e anos. Reflete sobre os verdadeiros méritos do homem a quem dedicou a vida; reflete sobre o que é ser um bom mordomo; reflete sobre a sua relação com o pai, também ele um mordomo e sobretudo pensa em Mr. Keaton. Um vivo fabuloso da Inglaterra dos anos 30 a 50.

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11.01.18

Do Inferno

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Alan Moore, conhecido tanto pela sua genialidade a contar histórias como pelo seu caracter “fechado”, é um nome maior da banda desenhada mundial. Da cabeça do inglês, saíram obras-primas como From Hell, V for Vendetta ou Watchmen. From Hell, premiada serie de histórias chega agora a Portugal, em versão traduzida, através de um volume de quase 600 páginas, responsabilidade da Devir. Publicada entre 1989 e 1996, é considerada uma das melhores Graphic Novels de sempre. Tem textos de Moore e ilustrações a preto e branco de Eddie Campbell. O livro, que até deu em filme em 2001, conta a história de Jack, O Estripador e o pormenor dos seus crimes e forma como foram encobertos, numa narrativa aterradora.

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03.01.18

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Ferrugem Americana

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Galardoado e aclamado, este romance de Phillipp Meyer pretende-se como continuação da obra de Hemingway, um regresso à literatura americana embrenhada nas profundezas sociais, na América rural, na ferrugem de uma América falida, onde a esperança é pouco mais do que uma linha no horizonte. É uma obra cativante, que cumpre o que promete, quase até ao fim. Para quem, como eu, colocava fortes expetativas na obra, termina a última página com um amargo de boca. O romance acaba do nada, sem nos dizer para onde caminham as personagens, como ficam as suas vidas, como se se estivessem esquecido de imprimir o último capítulo. Por isso vale um pouco menos. 

3,5 ★

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22.11.17

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Uma Coluna de Fogo

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He did it again! Ken Follett não para de deleitar o mundo da literatura, sobretudo com os seus gigantescos romances históricos (tem também alguns policiais interessantes). Entre 2010 e 2014 fez sair três volumes – A Queda dos Gigantes, O Inverno do Mundo e No Limiar da Eternidade – que contava a história do Séc. XX desde o eclodir da I Guerra Mundial até ao cair do Muro de Berlim. Parecia ser a sua obra-prima e até um fim de carreia. Aos 68 anos, Follett não abranda o ritmo e regressa a Kingsbridge (cidade fictícia). Kingsbridge foi apresentada ao mundo em 1989, como palco d´Os Pilares da Terra. Estamos no Séc. XII, durante um período onde dois sucessores lutam pelo trono inglês. Mas Tom, um humilde pedreiro, persegue o sonho de ajudar a erguer uma Catedral Gótica. Em 2007, Follett regressa à mesma cidade para Um Mundo Sem Fim. Este ano, regressamos a Kingsbridge para “Uma Coluna de Fogo”. No centro está Ned, um jovem inglês que regressa a Kingsbridge depois de uma estadia em França. Quando a família perde a fortuna e Ned perde a amada para um rival mais rico e poderoso, Ned muda-se para Londres onde se vê ao serviço da poderosa Rainha Isabel e se torna aos poucos, um dos seus conselheiros mais importantes e um antepassado daquilo que se tornaram os espiões, ao serviço da Coroa. Mas, como sempre, nos livros de Ken Follett não falta um contexto histórico maior e um batalhão de personagens interessantes.


Assim vivemos num época de lutas religiosas entre católicos e protestantes, sendo que o reinado de Isabel parece ter o condão de trazer alguma paz. Também a disputa pelo trono inglês, que acaba por ser ganho por Isabel, está em destaque, sobretudo com a sombra de Maria, Rainha da Escócia. Conhecemos a mãe de Ned, Alice, esperta e determinada comerciante que perde tudo; Barney, o seu irmão mulherengo que se torna marinheiro e se apaixona perdidamente em São Domingo e claro, Margery, a sua amada, que nunca esquece e nunca o esquece.

Conhecemos também o ponto de vista de Maria, Rainha da Escócia, sempre em apuros. Primeiro casada com Francisco e Rainha de França e depois, prisioneira, ainda que sempre apoiada pela amiga e aia, Allison. Também no núcleo francês, temos a calculista família Guise, que tenta dominar a Coroa e ainda Pierre, um jovem charlatão que consegue subir a pulso, até se aproximar do novo Rei de França, o adolescente Henri. Sem esquecer Sylvie, jovem prospera de Paris, cujo pai vendia bíblias em francês e acaba condenado à fogueira. Existe ainda o sevilhano Carlos e o seu antigo escravo Ebrima que acabam em Antuérpia, no meio de mais uma batalha religiosa, ainda que só queiram ter uma vida pacífica.  Follett continua um mestre em tornar simples e humana, a história da Europa e “Uma Coluna de Fogo” é mais um grande sucesso nesse sentido. É um pageturner cativante que nos faz dar uma volta ao mundo, ao mesmo tempo de mergulhamos nos locais descritos.

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20.11.17

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Hostage

 

 

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Guy Delisle é um dos meus autores favoritos da atualidade. Canadiano, nascido em 1966, é um dos mais proeminentes autores de graphic novels. A sua obra é muitas vezes autobiográfica e relata as suas viagens, um pouco por todo o mundo. Trabalhou em estúdios de animação na Ásia, como supervisor e relata essas experiências em Shenzhen, publicado em 2000 e no ainda mas fantástico Pyongyang, publicado em 2003, onde, de forma aparentemente simples, relata as limitações do regime coreano. A par de Dentro do Segredo, de José Luís Peixoto, é um dos relatos mais interessantes que li sobre a Coreia do Norte e o seu regime repressivo, apesar do esforço para não passar essa realidade para o exterior.

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Casado com uma administradora dos Médicos Sem Fronteiras, ele e os filhos, seguiram-na até vários países. Estas aventuras deram origem a livros como Burma Chronicles (2005) e Jerusalém (2009), nos quais relata o dia-a-dia naqueles países.

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Chega agora ao mercado português, Hostage (por cá, ainda só há em francês e inglês). Aqui, Guy conta a história do amigo Christophe André, raptado em 1997, por rebeldes chechenos, enquanto estava a trabalhar numa missão humanitária na Rússia, algures no Cáucaso Norte. Nos meses seguintes, a vida de André consiste em estar preso em locais esconsos e escuros, normalmente com uma mão algemada. E um livro que vive de imagem consegue ser muito bom, com grande parte das vinhetas a mostrarem o mesmo homem na mesma posição. Acompanhamos os diferentes estados de espírito de André, à medida que o tempo passa e todos os cenários que imagina – vou ser libertado hoje, vou fugir, não vou sair daqui nunca – enquanto não tem mais nada para fazer. Um relato emocionante e que nos prende até ao fim das cerca de 500 páginas.

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08.11.17

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Origem

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Eu, leitor de Dan Brown me confesso. Não que ache que Brown seja um grande escritor ou que a sua fórmula não seja previsível. Brown não escreve muito bem, “simplesmente” junta num livro, com linguagem simples, curiosidades sobre ciência, história, arte ou religião. Brown não nos surpreende por aí além. Sabemos ter uma história principal, que queremos ver desvendada o quanto antes mas que é atrasada por capítulos com personagens secundários. No entanto, na sua quase generalidade, os livros de Brown são divertidos. Levam-nos a sítios que não conhecemos, apresentam-nos monumentos e suas histórias e pessoas que sendo normais, são também extraordinárias. Desta vez, acompanhamos o Professor Robert Langdon até ao Museu Guggenheim de Bilbau onde um antigo aluno seu, hoje guru das tecnologias, se prepara para fazer um anúncio ao mundo que pretende mudar os paradigmas e decifrar a origem da vida. Escusado será dizer que tal perspetiva assusta as diversas religiões do mundo, que temem esvaziar-se e que Langdon está metido ao barulho, com a companhia de uma bela mulher, numa jornada que o leva a diversas cidades, rumo à vitória final. Críticas à parte, a viagem de Origem é divertida, muito divertida. E a literatura não precisa sempre de ser profunda.

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02.11.17

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Astérix e a Transitálica

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"Asterix e a Transitálica" chegou às lojas portuguesas no dia 19 de outubro. É a 37.ª aventura dos "irredutíveis gauleses", liderados pelo pequeno Asterix e pelo grande Obelix que, juntos, mantêm a fama e proveito de uma pequena aldeia que não se deixa invadir por Roma, nem por nada. Já se sabe que Asterix e o resto da aldeia (menos Obelix) têm ao dispor uma poção mágica que lhes dá força extra e faz os queixos dos romanos tremerem. A dupla que criou as aventuras - Albert Uderzo e René Goscinny – em 1959, desfez-se logo em 1977, altura em que Goscinny morreu. Já Uderzo, de 90 anos, continua a supervisionar os livros, depois de ter acumulado o desenho e os enredos até 2013. Esta é a terceira aventura assinada por Jean-Yves Ferri (argumento) e Didier Conrad (desenho), após "Asterix entre os Pictos" (2013) e "O papiro de César" (2015). Na nova aventura, o Senador Bifidus Attivus resolve organizar uma corrida na Península Itálica, para provar o bom estado das estradas e tentar disfarçar que os fundos que deveriam ser usados para a manutenção das mesmas, vão, na verdade para o seu bolso. À corrida juntam-se diversos povos, entre os quais, os gauleses, representados por Asterix e Obelix; os lusitanos, cuja equipa inclui Biscatês e Àsduasportrês, preguiçosos, e o campeão romano Coronavirus, grande favorito à vitória final. Aliás Júlio César não adite outro vencedor. Acompanhamos as desventuras da corrida até ao seu previsível final, passando por diversas regiões de Itália, onde os nossos herois vão comendo o que por há lá (pizzas sem tomate, que só chegará à Europa várias centenas de anos depois, em Nápoles ou presunto em Parma) e conhecendo o resto da cultura. Como sempre, as aventuras dos gauleses valem pelo caminho (neste caso, literal) e não pela chegada (aliás, todos os albuns acabam com um baquete na aldeia gaulesa, para celebrar o regresso da dupla. O novo álbum está cheio de boas piadas, a começar pelos nomes das novas personagens e faz constantes piscares de olho à atualidade. Os novos talentos por trás do estirador mostram mestria no desenho e no argumento em nada envergonham a série. Uma boa opção para uma hora de bom e familiar desenho e umas boas gargalhadas.

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26.10.17

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Jiro Taniguchi

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Numa altura em que Kazuo Ishiguro se preparara para receber o Prémio Nobel da Literatura 2017, chamo ao blogue um outro japonês: Jiro Taniguchi. Taniguchi, que nos deixou em fevereiro, aos 69 anos, foi um mestre da banda desenhada, distinguindo-se na manga e nas graphic novels. Vencedor por duas vezes (caso único entre os japoneses) do Festival de Banda Desenhada de Angoulême, Taniguchi teve uma carreira marcada entre a ponte entre a banda desenhada japonesa e a ocidental. Depois de ter sido empregado de escritório, começou a carreira como assistente de Kyota Ishikawa tendo publicado a sua primeira história em 1970. Foi nos anos 70 que conheceu a banda desenhada europeia, que para o sempre o influenciou. Teve uma carreira recheada, da qual destaco dois títulos: O Diário De Meu Pai e Terra De Sonhos. Em O Diário de Meu Pai, Taniguchi conta a história de Yoshi que regressa a Tottori, sua terra natal, para assistir ao funeral do seu pai e descobrir afinal quem era aquela homem austero. Numa viagem às suas raízes, Yoshi começa a perceber que a vida do país foi muito mais do que aquilo que ele julgava saber. É uma obra-prima de sensibilidade, na qual se nota a mescla perfeita entre a banda desenhada japonesa e a europeia, marca da obra de Taniguchi. Semelhante sensação passa Terra de Sonhos, que reúne cinco contos, com destaque para aquele que conta a história de um casal, sem filhos, que adota um cão e cuida dele até à sua morte e o vazio que esta traz. Mais uma prova da sensibilidade e de como as histórias mais simples podem ter o que ensinar.

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24.10.17





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