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Origem

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Eu, leitor de Dan Brown me confesso. Não que ache que Brown seja um grande escritor ou que a sua fórmula não seja previsível. Brown não escreve muito bem, “simplesmente” junta num livro, com linguagem simples, curiosidades sobre ciência, história, arte ou religião. Brown não nos surpreende por aí além. Sabemos ter uma história principal, que queremos ver desvendada o quanto antes mas que é atrasada por capítulos com personagens secundários. No entanto, na sua quase generalidade, os livros de Brown são divertidos. Levam-nos a sítios que não conhecemos, apresentam-nos monumentos e suas histórias e pessoas que sendo normais, são também extraordinárias. Desta vez, acompanhamos o Professor Robert Langdon até ao Museu Guggenheim de Bilbau onde um antigo aluno seu, hoje guru das tecnologias, se prepara para fazer um anúncio ao mundo que pretende mudar os paradigmas e decifrar a origem da vida. Escusado será dizer que tal perspetiva assusta as diversas religiões do mundo, que temem esvaziar-se e que Langdon está metido ao barulho, com a companhia de uma bela mulher, numa jornada que o leva a diversas cidades, rumo à vitória final. Críticas à parte, a viagem de Origem é divertida, muito divertida. E a literatura não precisa sempre de ser profunda.

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02.11.17

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Astérix e a Transitálica

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"Asterix e a Transitálica" chegou às lojas portuguesas no dia 19 de outubro. É a 37.ª aventura dos "irredutíveis gauleses", liderados pelo pequeno Asterix e pelo grande Obelix que, juntos, mantêm a fama e proveito de uma pequena aldeia que não se deixa invadir por Roma, nem por nada. Já se sabe que Asterix e o resto da aldeia (menos Obelix) têm ao dispor uma poção mágica que lhes dá força extra e faz os queixos dos romanos tremerem. A dupla que criou as aventuras - Albert Uderzo e René Goscinny – em 1959, desfez-se logo em 1977, altura em que Goscinny morreu. Já Uderzo, de 90 anos, continua a supervisionar os livros, depois de ter acumulado o desenho e os enredos até 2013. Esta é a terceira aventura assinada por Jean-Yves Ferri (argumento) e Didier Conrad (desenho), após "Asterix entre os Pictos" (2013) e "O papiro de César" (2015). Na nova aventura, o Senador Bifidus Attivus resolve organizar uma corrida na Península Itálica, para provar o bom estado das estradas e tentar disfarçar que os fundos que deveriam ser usados para a manutenção das mesmas, vão, na verdade para o seu bolso. À corrida juntam-se diversos povos, entre os quais, os gauleses, representados por Asterix e Obelix; os lusitanos, cuja equipa inclui Biscatês e Àsduasportrês, preguiçosos, e o campeão romano Coronavirus, grande favorito à vitória final. Aliás Júlio César não adite outro vencedor. Acompanhamos as desventuras da corrida até ao seu previsível final, passando por diversas regiões de Itália, onde os nossos herois vão comendo o que por há lá (pizzas sem tomate, que só chegará à Europa várias centenas de anos depois, em Nápoles ou presunto em Parma) e conhecendo o resto da cultura. Como sempre, as aventuras dos gauleses valem pelo caminho (neste caso, literal) e não pela chegada (aliás, todos os albuns acabam com um baquete na aldeia gaulesa, para celebrar o regresso da dupla. O novo álbum está cheio de boas piadas, a começar pelos nomes das novas personagens e faz constantes piscares de olho à atualidade. Os novos talentos por trás do estirador mostram mestria no desenho e no argumento em nada envergonham a série. Uma boa opção para uma hora de bom e familiar desenho e umas boas gargalhadas.

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26.10.17

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Jiro Taniguchi

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Numa altura em que Kazuo Ishiguro se preparara para receber o Prémio Nobel da Literatura 2017, chamo ao blogue um outro japonês: Jiro Taniguchi. Taniguchi, que nos deixou em fevereiro, aos 69 anos, foi um mestre da banda desenhada, distinguindo-se na manga e nas graphic novels. Vencedor por duas vezes (caso único entre os japoneses) do Festival de Banda Desenhada de Angoulême, Taniguchi teve uma carreira marcada entre a ponte entre a banda desenhada japonesa e a ocidental. Depois de ter sido empregado de escritório, começou a carreira como assistente de Kyota Ishikawa tendo publicado a sua primeira história em 1970. Foi nos anos 70 que conheceu a banda desenhada europeia, que para o sempre o influenciou. Teve uma carreira recheada, da qual destaco dois títulos: O Diário De Meu Pai e Terra De Sonhos. Em O Diário de Meu Pai, Taniguchi conta a história de Yoshi que regressa a Tottori, sua terra natal, para assistir ao funeral do seu pai e descobrir afinal quem era aquela homem austero. Numa viagem às suas raízes, Yoshi começa a perceber que a vida do país foi muito mais do que aquilo que ele julgava saber. É uma obra-prima de sensibilidade, na qual se nota a mescla perfeita entre a banda desenhada japonesa e a europeia, marca da obra de Taniguchi. Semelhante sensação passa Terra de Sonhos, que reúne cinco contos, com destaque para aquele que conta a história de um casal, sem filhos, que adota um cão e cuida dele até à sua morte e o vazio que esta traz. Mais uma prova da sensibilidade e de como as histórias mais simples podem ter o que ensinar.

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24.10.17

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O Árabe do Futuro

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Chegou ao mercado português o terceiro volume d´O Árabe do Futuro, de Riad Sattouf. Sattouf, filho de pai sírio e de mãe francesa. Cineasta e autor de banda desenhada (trabalha para o Charlie Hebdo), Riad escreve e desenha a sua história. Em criança, a família abandonou França e foi para a Síria, onde o pai de Riad pretendia ajudar na evolução do país, como professor universitário. No primeiro volume, que abrange o período entre 1978 e 1984, vemos o choque cultural de Riad e da mãe ao conhecerem a Síria e a Líbia. No segundo volume, Riad, mais habituado à Síria, vai para a escola e aprende árabe, tentando ser um verdadeiro sírio. Neste volume (1985-1987), a mãe de Riad parece ter chegado aos limites da sua paciência e quer mudar-se para um país mais civilizado, de preferência a sua França, deixando a pequena aldeia de Ter Maaleh, criando uma cisão entre os pais de Riad. O pai quer continuar no seu país, junto da família vendo o regresso a França, onde estudara, como uma derrota. É assim que vemos a Síria de Hafez Al-Assad, pelos olhos de uma criança, sem maldade mas também sem filtro.

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24.10.17

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O Diário de Anne Frank

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A história de Anne Frank dispensa apresentações mas nunca é demais lembra-la. O seu diário, o mais famoso testemunho do sofrimento judeu fora dos Campos de Extermínio, ganha agora uma versão graphic novel, apoiada pela própria Fundação Anne Frank, depois de algumas versões em vinhetas, não "oficiais". O objectivo terá sido chegar a camadas mais jovens e aos amantes da banda desenhada. E resulta na perfeição. Fabulosa a recriação dos escritos da jovem, num relato comovente mas com bastantes toques de humor e observação madura. Obrigatório. 

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13.10.17

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The Handmaid´s Tale

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Já tinha namorado o livro e já tinha ouvido falar (bem) da série mas o domínio de The Handmaid´s Tale na noite dos Emmys, despertou-me ainda mais a atenção. Comecemos pelo início. A História de uma Serva, de 1985, escrito por Margaret Atwood, descreve um mundo alternativo onde extremistas religiosos derrubaram o governo dos EUA e os transformaram em Gileade, um estado fundamentalista, no qual todas as mulheres férteis - Servas - são obrigadas a gerar filhos para a elite. Segundo a classe dominante, Deus castigou a Humanidade com infertilidade e o sexo é agora, uma cerimónia na qual a Serva é penetrada pelo seu senhor, enquanto é agarrada pela mulher deste. As Servas, formadas numa escola fundamentalista por uma sombria figura - Tia Lydia - têm direitos restritos e obrigações vastas.

No centro da história está uma Serva, Offred, que deve ter um filho do seu amo e manter uma vida recta, baseada nos ensinamentos bíblicos. Mas, as memórias da sua vida anterior continuam a ocupar-lhe a cabeça. Memórias da vida com o marido e a filha e tempos que parecem condenados a não mais voltar.  A adaptação para televisão conta com Elisabeth Moss (a valente e brilhante Peggy de Mad Men) como Defred e com Joseph Fiennes como seu amo. Outros como Yvonne Strahovski (Chuck) como a triste e vingativa mulher de Fiennes; Max Minghella (Ágora, Nos Idos de Março, A Rede Social ou Os Estagiários) como motorista ou as servas Alexis Bledel (Gilmore Girls) e Samira Wiley (Orange is the new Black) também estrelam a série.

 

 

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20.09.17

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Uma Coluna de Fogo

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Aos 68 anos, o galês Ken Follett não dá sinal de querer abrandar. Conhecido e lido em todo o mundo, muito graças ao romance histórico “Os Pilares da Terra” e a inúmeros policiais como “A Chave para Rebecca” ou “O Homem de São Petesburgo”, lançou entre 2010 e 2014, a trilogia “O Século” (“A Queda dos Gigantes”, “O Inverno do Mundo” e “No Limiar da Eternidade”) que começa com o eclodir da I Guerra Mundial e termina com a queda do muro de Berlim, naquele que parecia ser o seu encerrar de carreira em grande. Nada mais errado. Acaba de chegar aos escaparates de todo o mundo mais um volume gigantes (cerca de 900 páginas, como os três livros anteriores) – “Uma Coluna de Fogo”. No novo livro, regressamos a Kingsbridge, cuja construção da catedral acompanhamos ao longo d´”Os Pilares da Terra”. Voltaríamos à mesma cidade em “Um Mundo Sem Fim”. Resumo da obra.

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19.09.17

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Cifra

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Mai Jia nasceu em 1964, numa pequena aldeia chinesa nas montanhas. Viveu uma infância difícil e assim que teve idade suficiente alistou-se no exército chines. Passou para os serviços secretos onde esteve cerca de 20 anos. Sempre soube que tinha que escrever, tanto que escreveu um diário em 36 volumes (não publicado, até à data). Cifra começa a ritmo alucinante. Conhecemos a história de todos os Rong e quando nos começamos a afeiçoar a eles e a ganhar admiração pelo seu percurso, Jia “mata-os”. Ficamos com Rong Jizhen, bastardo conhecido como “patinho” até ser completamente integrado na família. Família essa que é responsável pela criação de uma conceituada universidade onde a matemática tem papel central. Rong Jizhen que se torna protegido do professor norte-americano Jan Liseiwickz, que o coloca no caminho para ser o melhor matemático da sua geração. Jizhen acaba por usar a sua inteligência única durante a Segunda Guerra Mundial para ajudar a descodificar as mais complexas mensagens codificadas.

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08.09.17

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A Luz da Noite

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Da mente do jovem Graham Moore, argumentista d´O Jogo da Imitação, nasceu este fantástico A Luz da Noite (muito bom, o título original: The Last Days of Night) sobre a disputa, real, entre Thomas Edison e entre George Westinghouse, magnatas americanos da eletricidade e, a bem dizer, da inovação. Uma disputa que teve como personagem, nada secundária, Nikola Tesla, o brilhante engenheiro de origem sérvia. No centro da trama está o jovem advogado Paul Cravath que, pela sua personalidade direta acaba por ganhar, sem saber muito bem como, os favores do milionário Westinghouse e é contratado para o representar no caso jurídico mais importante dos EUA do fim do século XIX. Edison pretende processar o rival pelo fabrico de lâmpadas elétricas, uma vez que ele tem a patente. Sendo Edison uma figura de proa e alguém mais rico do que se poderia imaginar, nenhum advogado pensou alguma vez ter hipóteses de entrar na luta. Mas Cravath não se atemoriza e colocando Tesla do lado da sua causa, acaba por dar início a um interessante episódio histórico, que ficou conhecido como a Guerra das Correntes.

Graham reproduz com todos os pormenores a vida dos EUA de 1888, levando-nos para o centro da trama. No livro, temos o prazer de conhecer, de facto, Edison, Tesla e Westinghouse. Obrigatório para os interessados por história e romances históricos. Vem aí a versão cinematográfica, com Eddie Redmayne como Paul. Resta saber quem dará vida a Tesla, após David Bowie o ter interpretado em 2006, em O Terceiro Passo.

 

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22.08.17

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O Projecto Rosie

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Ao melhor estilo de Sheldon Cooper (Big Bang Theory), Don, um geneticista australiano, tem uma agenda a cumprir. O seu tempo é precioso e gasto naquilo que lhe dá prazer. Olha para as mulheres e gosta de um bom copo de vinho (ao contrário de Sheldon) mas pela sua enorme inteligência tem tendência para ser visto como arrogante. Tem dois amigos. Gene, um professor de psicologia que tem um casamento aberto e a vontade de dormir com uma mulher de cada uma das nacionalidades existentes no mundo, tarefa que está a ir de vento em popa e Claudia, a mulher de Gene. Equaciona incluir a filha do casal na sua lista de amizade. Solitário, decide ser tempor de ter uma mulher e inicia o Projecto Esposa. Através de questionários escritos, tenta encontrar a mulher perfeita para si. Quando está prestes a desistir, Gene manda-lhe Rosie. Não parece em nada responder ao critérios de Don mas toma a sua vida de assalto. Don não a vê como companheira mas quando ela precisa de ajuda para encontrar o pai verdadeiro, começa o Projecto Rosie...Um livro de grande profundidade, disfarçado de comédia romântica leve, com passagens hilariantes como a viagem do duo a Nova Iorque e principlamente a sequência em que Don aprende, da noite para o dia, a fazer uma míriade de cocktails para estar à altura do papel de barman. 

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17.08.17





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